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Informação acerca de: António Chainho
Nome do projecto: António Chainho
Site: http://www.antoniochainho.com
contacto : Ghude, Lda
Email: ghude@ghude.com
Telefone: +351 21 3558219
Cidade de origem: Lisboa
Região de Origem: Portugal
Breve descrição:

António Chainho

UMA BIOGRAFIA

 

 

 

 

 

Quando saíu da tropa, estava decidido que o seu destino seria a guitarra portuguesa. Corriam os anos sessenta e António Chaínho, alentejano e no vigor dos vinte anos, logo demonstrou o seu virtuosismo nas doze cordas. Para trás ficava o café dos pais, em São Francisco da Serra (Santiago do Cacém), onde, aos oito anos, se tinha iniciado nas lides. O pai manejava a guitarra, pousada sobre a mesa de bilhar e sempre à disposição, com destreza; e o filho, aos treze anos, já se apresentava em público.

 

Inspirado em mestres como Armandinho, estreia-se na casa de fados A Severa, em meados dos anos sessenta, a que se seguiram actuações n’O Faia, n’O Folclore e no Picadeiro, de que aliás seria proprietário e onde foi dando azo ao seu amor pela guitarra portuguesa, acabando por formar o seu próprio conjunto de guitarras. Mas é quando acompanha Maria Teresa de Noronha, Lucília do Carmo, Carlos do Carmo, Francisco José, Tony de Matos, António Mourão, Frei Hermano da Câmara ou Hermínia Silva que Mestre Chaínho começa a deixar marcas na história da guitarra portuguesa. Ela seria a sua noiva para o resto da vida. E, desde aí, não se cansou de a mostrar ao resto do mundo.

Estava há três anos em Lisboa quando a Emissora Nacional o convida para um programa de rádio -- “Fados e Guitarradas” -- em que actua, ao vivo e em directo, com o seu conjunto. Nele se agrupavam guitarristas como José Luís Nobre Costa e tocadores de viola como Raúl Silva e José Maria Nóbrega. Para quem tinha aprendido a tocar a guitarra de ouvido colado na telefonia, tinha chegado a vez de ser considerado um dos seus primeiros executantes enquanto autor de memoráveis recitais de guitarra transmitidos pela rádio em Portugal. É por essa mesma altura, em finais dos anos sessenta, que grava o seu primeiro disco, o EP “Solos de Chaínho”, para a já extinta editora Rapsódia, seguindo-se mais três discos no mesmo formato para outras companhias discográficas.

O orgulho na sonoridade da guitarra portuguesa levou-o no entanto a inverter posições. E se o protagonismo de um recital não pertencer tanto à voz como ao dedilhar de uma guitarra? Porque não hão-de os holofotes incidir no canto de um dos mais brilhantes instrumentos portugueses? As guitarras não têm que gemer sempre baixinho e António Chaínho assume por isso o risco de enveredar por uma carreira a solo. Com a modéstia que é reconhecida aos grandes, chama os maiores artistas para cantar consigo, confirmando que a sua missão é levar pelos quatro cantos do mundo a sua amada.

Actua então em recitais por todo o mundo: a solo ou dividindo o palco com Paco de Lucia ou John Williams; em concertos isolados ou em festivais dedicados à guitarra como aconteceu em Córdova. E abre uma nova frente ao iniciar uma discografia em nome próprio com o álbum “Guitarra Portuguesa” e um segundo disco gravado com a Orquestra Sinfónica de Londres, abraçando decididamente uma carreira discográfica, exclusivamente composta por temas originais, agora com o selo Movieplay.

Num mesmo movimento explora novas direcções para o fado. Toca guitarra portuguesa no álbum “Fura Fura” de José Afonso e, com Rão Kyao, participa no álbum “Fado Bailado”. É altura de experimentar o contacto com outras culturas e abre a guitarra portuguesa à voz de cantoras como as brasileiras Gal Costa e Fáfá de Belém, a espanhola Maria Dolores Pradera e a japonesa Saki Kubota. Os convites sucedem-se e tomam formas insondáveis para quem não partilha o gosto pela reinvenção constante da guitarra portuguesa. Na colectânea “Red Hot + Lisbon”, acompanha a norte-americana kd lang no tradicional “Fado Hilário”.

Em 1998, já não consegue esconder a sua paixão e grava “A Guitarra e Outras Mulheres”, onde é acompanhado por Teresa Salgueiro (Madredeus), Marta Dias, Filipa Pais, Ana Sofia Varela, Elba Ramalho ou Nina Miranda (Smoke City), e por alguns dos músicos mais prestigiados da “downtown” de Nova Iorque (Bruce Swedien, Greg Cohen, Peter Scherer). A sua dedicação e talento são finalmente reconhecidos e o disco vende mais de vinte mil cópias, tornando-se uma referência na arte de bem tocar a guitarra portuguesa.

Mas é no Brasil – uma das suas paixões -- que reencontra um brilho por ventura perdido e restabelece a ligação entre a música brasileira e a portuguesa. Com Celso Fonseca e Jaques Morelenbaum, habitual arranjador de Caetano Veloso, protagoniza o álbum “Lisboa – Rio”, cruzamento da tradição portuguesa com alguns clássicos da música brasileira. Sabendo da vocação universal da guitarra portuguesa, ergue então um novo marco da sua divulgação.

Os papéis voltam a inverter-se e agora Chaínho é convidado para acompanhar as maiores vozes contemporâneas. O cantor lírico José Carreras não dispensa a sua colaboração num concerto no Pavilhão Atlântico; Adriana Calcanhotto chamou-o para junto de si na última digressão que efectuou em Portugal e Maria Bethânia convida-o para se apresentar em espectáculos no Rio de Janeiro e São Paulo. No Brasil, em Itália, ou no Japão, António Chaínho insiste em divulgar a guitarra portuguesa. Em Portugal é o mentor de um projecto que acalentou durante doze anos: a Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa e hoje é respeitado como um renovador da tradição que outros lhe deixaram.

Nos últimos dez anos tem sido acompanhado, à viola, por Fernando Alvim -habitual parceiro de mestre Carlos Paredes para quem construíu os arranjos da maioria do seu reportório. Mas desta vez, António Chaínho faz-se acompanhar por Eduardo Miranda e Tuniko Goulart, músicos brasileiros radicados em Portugal. Em trio, dedicam-se a erguer pontes entre a música portuguesa e brasileira, encontrando-se no deleite próprio dos grandes tocadores de instrumentos de cordas; ou como quem explora uma química que torna cada espectáculo num momento irrepetível.

Por seu lado, desde a edição de “A Guitarra e Outras Mulheres” que Marta Dias tomou um lugar privilegiado ao lado de António Chaínho. Em disco e em concerto. “Fadinho Simples” demonstrou ser um dos temas fortes do álbum “A Guitarra e Outras Mulheres” e desde aí Marta Dias tornou-se uma parceira privilegiada nos seus concertos. No álbum, gravado ao vivo no Centro Cultural de Belém, ela é a única vocalista presente, emprestando o poder da sua voz à disposição de percorrer os caminhos da aventura. Por isso entra pelos domínios do jazz, da soul ou até da música brasileira, sem nunca evitar o fado.

Incansável na reinvenção da guitarra portuguesa e sempre pronto a apostar nos novos valores, António Chaínho, dá agora oportunidade a uma nova revelação do Fado, Isabel Noronha. Juntos apresentam um espectáculo onde a mestria da Guitarra Portuguesa se alia à voz única de Isabel. O Mestre Chainho desde cedo entendeu que fazer ponte entre a tradição e a modernidade, seria única forma de resgatar o instrumento mais português ao esquecimento. Afinal, ainda há noivas assim.